Posts de hackers, pinguins, (emas) e balaclavas

histórias de maria

Em entrevista no norte do Matogrosso, Maria Maia fala de sua música “Apelo ao mundo” na internet e outras histórias, como a primeira vez em que viu energia elétrica.

“foi uma época difícil: passar de garimpeira a lavradoraPlease enable Javascript and Flash to view this Flash video.

“uma coisa está assustando a gente: tem um pessoal que vem de fora que está comprando terras. Futuramente pode sair uma monocultura…”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

“nós fomos nascidas e criadas à luz de vela.. só vi televisão aos 22 anos…”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

não tenho vergonha de dizer que sou analfabeta”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

salsaman in brazil

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Salsaman, o programador inglês que criou o lives, software livre de vj e edição de vídeo, é uma figura particular. Baixinho, nômade, sorriso estampado na cara, personagem de contextos estranhos e cômicos. No vídeo acima ele fala do link entre desenvolvedores e artistas (em inglês, sem legendas), durante o FISL, em Porto Alegre. Abaixo, mostra, na Bahia, os ensinamentos de capoeira do mestre dos magos.

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Ambrósio

Outra metáfora possível para as alternativas de distribuição/produção cultural: Ambrósio, agricultor e poeta, outro maranhense que veio para o mato grosso atrás do “problema” garimpo de ouro, conta os empecilhos que tem com os intermediários, os “picaretas” (as “gravadoras, agências…”?): “existe atravessador porque falta organização – eles buscam um grupo debandado”

Antes de chegar ao norte do mato grosso, nos tempos de governo Collor, ambrósio se aventurou na serra pelada, “era um dos garimpeiros mais ‘azarão’ da época”. Desiludido, se voltou para a agricultura familiar: “a única saída pra quem não tinha profissão era procurar o último recurso, a terra prometida“.

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“existe uma monocultura muito grande, sou do município com maior número de fazendas de gado

capturado no kino, editado no cinelerra, ubuntu, linux.

código-aberto

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O fotógrafo Eustáquio Neves nasceu em juatuba, pequena cidade mineira – nesse trecho ele faz uma analogia dos códigos de vivência em comunidades, como um galho na encruzilhada, deixado para apontar o caminho certo, e os conceitos do software livre. “quando eu morava lá…”
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cc-license-buttons.jpg capturado no kino, editado no cinelerra, ubuntu, linux

“patrimônio cultural é o escambau”

Zumbi, articulador da cena hip-hop em diamantina, minas gerais:
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zumbi e eustáquio

“A essência do meu trabalho é ser escutador de histórias, inventor de imagens”
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Eustáquio Neves, fotógrafo mineiro que dá oficinas de documentário no Ponto de Cultura de Diamantina (está prestes a fazer um vídeo sobre caçadores de onças). Ele, que já participou da Bienal de Havana, fez ensaios como a série “Arturos”, sobre descendentes de um quilombo – e “Boa aparência”, a respeito de anúncios de emprego que exigem boa aparência (forma velada de excluir negros).
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acima, duas fotos de eustáquio.

vídeo capturado no kino, editado no cinelerra, ubuntu, linux.

lucas do rio verde, mt – cultura digital e agrofloresta

Uma cidade de 18 anos no meio do mato grosso com mais de 65% de sulistas. Monocultura, Blairo Maggi e estátua de porco. Poodle fantasma e escolas públicas com piscina. O Lucas, que morava no rio verde, repousa em algum canto de goiás, diz a lenda.

Aqui, no Ponto de Cultura, que fica no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, há um encontro entre vários produtores do campo. Acabo de ver um vídeo feito por eles com uma frase que serve de metáfora para o contexto digital: a cena é numa periferia, perto da floresta amazônica – talvez num subúrbio causado pelo gado, talvez pela soja – e o narrador diz: “com o agroflorestamento, as pessoas deixam de ser consumidoras e tornam-se produtoras”. A punheta dos tempos da faculdade, onde requisitava-se paul virilio, baudrillard e levy para discernir o virtual e o real tem aqui sua analogia clara.

O agroflorestamento é uma forma de combate à monocultura, real, palpável – o software livre (opção ao maior monópolio da computação) pode ser comparado a este processo de renovação do solo deteriorado, em que pequenos agricultores estão cultivando de forma colaborativa, plantando em pequenos espaços diversas sementes distintas, criando diversidade em uma vizinhança onde as emas se perdem no meio de tanto milho – fora a soberba da soja e do gado na região.

Ontem gravamos três músicas de Maria Maia, maranhense que veio para cá atrás do garimpo do ouro, na Era Collor. Não deu certo. Foi assentada no norte do estado, quase no Pará. Breve coloco a entrevista online.
Agora vejo ela em frente ao computador, pedindo ajuda.
- maria, o que procura?
- minha mãe, que desapareceu em 1961
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Ano passado estive em Barra do Garças, no Mato Grosso também, quase divisa com Goiás:
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Abaixo, Augusto Pereira, gestor do Ponto em Lucas do Rio Verde: “… a realidade dos assentamentos do norte do Mato Grosso, uma região já de floresta amazônica…”
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“… existe uma rádio comunitária que funciona a diesel…”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

“tudo ao mesmo tempo: a eletricidade e a internet chegam juntas… eles querem usar a internet como fiscalização, como instrumento para denúncia…”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

editado no cinelerra, ubuntu.

senzala na serra do cipó, mg

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Acima, fotos de uma senzala na serra do cipó, em minas, cidade próxima à BH. Vinícius, articulador da região, pleiteia o espaço para hospedar o Ponto de Cultura local. Breve entrevista com ele e com os herdeiros das casas…

tainã, campinas-sp

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matéria em construção (…)
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O Caudalonga

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Fórum Internacional do Software Livre 8.0, abril de 2007.
quem ganha? o show ou o businesssss?

“A cauda longa” é um best-seller internacional (pejorativo ou glória?), que “analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado, a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entretenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos” (…)

O que isso tem a ver com o FISL? Bom, desde que o Gil apareceu por lá para lançar o Creative Commons no Brasil o FISL tem cada vez mais um caráter cultural. E qual é a cultura do FISL? É uma Cultura de nichos? Segundo o pessoal da FGV é a ascenção do “Open Business” – negócio que visa a obtenção do lucro por outros meios que não a propriedade intelectual.

Legal. Logo nos vem a cabeça a idéia de diversidade, de multiplicidade de produtores. Mas não foi exatamente isso que vimos. Lá parecia nascer uma nova leva de celebridades. As celebridades do Open Business ou, por que não dizer, o Open Show Business!

Estaria a indústria se adaptando as mudanças tecnológias e pronta para abocanhar todos esses novos nichos de mercado? Ou estaria se criando simplesmente mais um movimento com um belo apelo de marketing apoiado no conceito de cultura livre?

Cunhamos o termo Open Show Business após uma abertura contrangedora do show realizado pelo Festival “Criei, Tive Como”, onde a anfitriã apresentava os artistas que iam se apresentar como “músicos do Open Business”.

Mombojó é uma banda Open Business?
“mombojó, uma banda de open business”
Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.acima, marcelo campello, do mombojó, reflete sobre o rótulo recebido. depois, abaixo, pergunta para felipe machado, do Cultura Digital de Recife, que raio é isso de open business: Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.“mombojó faria trilha de novela?”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.finalzinho do show…Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

foto-djset02.JPGUma figura que também se destca no mundo do Open Business é DJ Dolores, desde que lançou uma versão remixada da música Oslodum, do Gil, na Wired.

O fato curioso é que em seu site, ou em qualquer outro lugar, não há nenhum registro de alguma música sua que tenha sido publicada sob uma licença Creative Commons, apesar de ser sempre citado como referência na área de cultura livre.

Mandamos um email tentando trocar uma idéia sobre isso, se de repente essas “músicas livres” dele estariam em algum outro lugar, mas não tivemos resposta.

Será que é esse o papel do DJ moderno? Se apropriar livremente de samples de um monte de gente pra vender sua música?

Nos parece uma relação similar ao exemplo abaixo, no campo do software, onde uma empresa baseia todo seu trabalho em software livre, mas exatamente a cereja do bolo, que é o que ela faz, é fechado. Seria isso parasitismo? O que uma empresa dessas estava fazendo em um evento de Software Livre?

“a parte que os outros fizeram é livre e a parte que vocês fizeram é proprietária? – sim”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

“é importante que uma empresa não seja um parasita do software livre”
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acima, josé raia, do banco do brasil, na entrevista (abaixo) em que foi indagado sobre o parasitismo de empresas no “novo mercado de cultura livre”. Pelo menos o discurso está na ponta da língua.
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Relações parasitas e oportunistas já foram amplamente discutidas no campo do software livre, como neste artigo. Por parasita entenda-se a pessoa que se aproveita do trabalho colaborativo de outras pessoas para fazer o seu, mas não devolve o seu próprio para que as pessoas possam usá-lo. É a quebra básica do conceito original de copyleft.

Abaixo tivemos um bom papo com phil mayer, videomaker do coldcut, e pedro zaz, artista português, sobre como eles enxergavam isso de fora, principalmente levando em consideração a imagem que a Europa tem do Brasil como uma nação Open Source, em contraposição com o que eles vêem aqui na prática.

“na inglaterra temos outro tipo de software livre”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.“o brasil é visto, pelo mundo todo, como uma criança linux”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.“há uma coisa mais descarada na inglaterra…”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.“o que antigamente era marginal, agora virou moda”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

Abaixo entrevista com Matheus Zimerman, da revista O Diluvio, num papo sobre a revista. “Não vejo uma apropriação da Cultura Livre, mas sim do tema da ecologia”. “Espero que um dia se valorize mais as publicações que produzem material livre..”
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Por último, não resistimos em buscar na fonte a resposta para a pergunta que não quer calar. “é verdade que o google tem um plano de dominação mundial?”Please enable Javascript and Flash to view this Flash video.

Algumas entrevistas ainda estão de fora.. destaque para a com um representante do UOL, que estava lá.

ilustração da vinheta: fernando torelly. trilha: hapax, dj gen, projeto nave.
copyleft.jpg = alguns direitos reservados – somente permitido uso comercial por iraquianos.

Imagens da semana

Algumas fotos das coisas que estão rolando:

Mimosa que está sendo construída no workshop de Open Source na faculdade Aritivisive do IED
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Construção do Preto Velho
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Os limões do Jardin de Volts que o Glerm trouxe pro IED
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Esse projeto foi realizado com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo
Programa de Ação Cultural - 2008