O Caudalonga

11 05 2007

cauda-longa1.jpg

Fórum Internacional do Software Livre 8.0, abril de 2007.
quem ganha? o show ou o businesssss?

“A cauda longa” é um best-seller internacional (pejorativo ou glória?), que “analisa as alterações no comportamento dos consumidores e do próprio mercado, a partir da convergência digital e da Internet. Trata-se da teorização de um fenômeno já existente e em virtuosa ascensão na indústria do entretenimento, que tem gerado um movimento migratório da cultura de hits para a cultura de nichos, a partir de um novo modelo de distribuição de conteúdo e oferta de produtos” (…)

O que isso tem a ver com o FISL? Bom, desde que o Gil apareceu por lá para lançar o Creative Commons no Brasil o FISL tem cada vez mais um caráter cultural. E qual é a cultura do FISL? É uma Cultura de nichos? Segundo o pessoal da FGV é a ascenção do “Open Business” - negócio que visa a obtenção do lucro por outros meios que não a propriedade intelectual.

Legal. Logo nos vem a cabeça a idéia de diversidade, de multiplicidade de produtores. Mas não foi exatamente isso que vimos. Lá parecia nascer uma nova leva de celebridades. As celebridades do Open Business ou, por que não dizer, o Open Show Business!

Estaria a indústria se adaptando as mudanças tecnológias e pronta para abocanhar todos esses novos nichos de mercado? Ou estaria se criando simplesmente mais um movimento com um belo apelo de marketing apoiado no conceito de cultura livre?

Cunhamos o termo Open Show Business após uma abertura contrangedora do show realizado pelo Festival “Criei, Tive Como”, onde a anfitriã apresentava os artistas que iam se apresentar como “músicos do Open Business”.

Mombojó é uma banda Open Business?
“mombojó, uma banda de open business”

acima, marcelo campello, do mombojó, reflete sobre o rótulo recebido. depois, abaixo, pergunta para felipe machado, do Cultura Digital de Recife, que raio é isso de open business:
“mombojó faria trilha de novela?”
finalzinho do show…

foto-djset02.JPGUma figura que também se destca no mundo do Open Business é DJ Dolores, desde que lançou uma versão remixada da música Oslodum, do Gil, na Wired.

O fato curioso é que em seu site, ou em qualquer outro lugar, não há nenhum registro de alguma música sua que tenha sido publicada sob uma licença Creative Commons, apesar de ser sempre citado como referência na área de cultura livre.

Mandamos um email tentando trocar uma idéia sobre isso, se de repente essas “músicas livres” dele estariam em algum outro lugar, mas não tivemos resposta.

Será que é esse o papel do DJ moderno? Se apropriar livremente de samples de um monte de gente pra vender sua música?

Nos parece uma relação similar ao exemplo abaixo, no campo do software, onde uma empresa baseia todo seu trabalho em software livre, mas exatamente a cereja do bolo, que é o que ela faz, é fechado. Seria isso parasitismo? O que uma empresa dessas estava fazendo em um evento de Software Livre?

“a parte que os outros fizeram é livre e a parte que vocês fizeram é proprietária? - sim”

“é importante que uma empresa não seja um parasita do software livre”
bancojpg.jpg
acima, josé raia, do banco do brasil, na entrevista (abaixo) em que foi indagado sobre o parasitismo de empresas no “novo mercado de cultura livre”. Pelo menos o discurso está na ponta da língua.

Relações parasitas e oportunistas já foram amplamente discutidas no campo do software livre, como neste artigo. Por parasita entenda-se a pessoa que se aproveita do trabalho colaborativo de outras pessoas para fazer o seu, mas não devolve o seu próprio para que as pessoas possam usá-lo. É a quebra básica do conceito original de copyleft.

Abaixo tivemos um bom papo com phil mayer, videomaker do coldcut, e pedro zaz, artista português, sobre como eles enxergavam isso de fora, principalmente levando em consideração a imagem que a Europa tem do Brasil como uma nação Open Source, em contraposição com o que eles vêem aqui na prática.

“na inglaterra temos outro tipo de software livre”

“o brasil é visto, pelo mundo todo, como uma criança linux”
“há uma coisa mais descarada na inglaterra…”
“o que antigamente era marginal, agora virou moda”

Abaixo entrevista com Matheus Zimerman, da revista O Diluvio, num papo sobre a revista. “Não vejo uma apropriação da Cultura Livre, mas sim do tema da ecologia”. “Espero que um dia se valorize mais as publicações que produzem material livre..”


Por último, não resistimos em buscar na fonte a resposta para a pergunta que não quer calar. “é verdade que o google tem um plano de dominação mundial?”

Algumas entrevistas ainda estão de fora.. destaque para a com um representante do UOL, que estava lá.

ilustração da vinheta: fernando torelly. trilha: hapax, dj gen, projeto nave.
copyleft.jpg = alguns direitos reservados - somente permitido uso comercial por iraquianos.



Traquitana

10 05 2007

Videozinho da Traquitana que o Ettienne - e sua turma - montou lá no FISL. Espaço totalmente hackeado, no meio de tudo. Muito bom… Bateria Eletronica de verdade!