Um salve a José Padilha

17 10 2007

Mais um post em mais um blog falando sobre o Tropa de Elite.

Mas não é a toa que tá dando tanta repercussão. O filme é muito bom.

Eu me lembro da sensação que eu tive quando vi Cidade de Deus. Na época eu trabalhava em uma favela na Zona Leste de São Paulo, e fiquei com muita raiva do filme por fazer um bang-bang de entretenimento em cima de um tema tão sério. A simplificação dos personagens, a coisa tão bem definida que tem entre quem é do “bem” e do “mal” esteriotipava ainda mais a visão que se tinha da favela e, na minha visão, só aumentava o abismo social.

Saí da sala de cinema com uma sensação de alívio por ver um filme que não cai na mesma onda do Cidade.  Gostei mesmo de como o diretor tocou a história, mostrando uma situação complexa:

O traficante bandido, assassino. A polícia corrupta e a classe média alienada, cheia de discurso e com atitude zero, as vezes até indo contra o discurso. A cena da porrada na passeata pela Paz é foda. Me lembrei na hora do movimento “Cansei”…

E tudo isso sendo narrado e interpretado através dos olhos distorcidos de um policial metido a justiceiro, violento e alucinado.

Algumas pessoas não gostaram do filme porque acharam fascista, incentivador da tortura,  e não perceberam que não é o filme que é assim, mas o protagonista. Aí ouvi um amigo dizendo que esse filme despertou no Rio um sentimento que deseja mais violência: uma adorção ao BOPE…
Essas pessoas estão malucas. Se um cara como Capitão Nascimento vira herói é o atestado de que a sociedade está mesmo muito doente.

Pra coroar o filme, ainda teve toda a história de ele ter sido pirateado antes de chegar ao cinema. Mostrou, mais uma vez, que a pirataria pode ser uma ótima estratégia de marketing e não uma inimiga.

Leo,,


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One response to “Um salve a José Padilha”

22 10 2007
vitor (23:58:51) :

opa, gostei do filme também.

legal estender esse salve pro luiz eduardo soares, que acho que sempre mandou bem nessa área que chamam “segurança pública”.

e vale também admirar o trabalho do roteirista do filme, que era capitão do bope há um tempo atrás e chegou a participar do “ônibus 174″.

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