cataratas - videozinho
17 10 2007Categorias : Leo Germani
Mais um post em mais um blog falando sobre o Tropa de Elite.
Mas não é a toa que tá dando tanta repercussão. O filme é muito bom.
Eu me lembro da sensação que eu tive quando vi Cidade de Deus. Na época eu trabalhava em uma favela na Zona Leste de São Paulo, e fiquei com muita raiva do filme por fazer um bang-bang de entretenimento em cima de um tema tão sério. A simplificação dos personagens, a coisa tão bem definida que tem entre quem é do “bem” e do “mal” esteriotipava ainda mais a visão que se tinha da favela e, na minha visão, só aumentava o abismo social.
Saí da sala de cinema com uma sensação de alívio por ver um filme que não cai na mesma onda do Cidade. Gostei mesmo de como o diretor tocou a história, mostrando uma situação complexa:
O traficante bandido, assassino. A polícia corrupta e a classe média alienada, cheia de discurso e com atitude zero, as vezes até indo contra o discurso. A cena da porrada na passeata pela Paz é foda. Me lembrei na hora do movimento “Cansei”…
E tudo isso sendo narrado e interpretado através dos olhos distorcidos de um policial metido a justiceiro, violento e alucinado.
Algumas pessoas não gostaram do filme porque acharam fascista, incentivador da tortura, e não perceberam que não é o filme que é assim, mas o protagonista. Aí ouvi um amigo dizendo que esse filme despertou no Rio um sentimento que deseja mais violência: uma adorção ao BOPE…
Essas pessoas estão malucas. Se um cara como Capitão Nascimento vira herói é o atestado de que a sociedade está mesmo muito doente.
Pra coroar o filme, ainda teve toda a história de ele ter sido pirateado antes de chegar ao cinema. Mostrou, mais uma vez, que a pirataria pode ser uma ótima estratégia de marketing e não uma inimiga.
Leo,,
Nesse feriado fiz uma passagem relâmpago por São Paulo. Da selva amazônica à selva de pedras em algumas horas.
Foi maluco e angustiante ver toda a correria da cidade, o transito, a poluição, o abismo social, o shopping center iluminado, o rodízio de comida japonesa, o rio Tietê, os catadores, as obras, os novos bares, o pedinte no farol, as mansões do jardins…
Foi maluco e angustiante ver como sou parte de tudo isso.