blogbeat 1/x

28 02 2007

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Começo um outro documentário, o “blogbeat”. Uma espécie de continuação do “recbeat e o hipertexto”, de 2006. Cheguei há pouco de Recife, onde gravei boa parte do material, e só capturei uns 15% das imagens, mas coloco aqui uns frames pra rascunhar. A base, novamente, será o Festival Recbeat, no carnaval pernambucano. Ainda alimentarei alguns temas referentes ao novo contexto musical “digital”, como o Ecad (veja a foto abaixo de uma propaganda deles e reflita). Usarei muito texto, em primeira pessoa. Pra dar o tom quase de diário introduzo o vídeo com uma ligação que recebi numa madrugada véspera do carnaval: a de um sequestro. Aquele, do trote. Epidemia em São Paulo. Deixaram o recado “mãe, (choro), mãe (suspiro) …” na secretária eletrônica. Vou usar recortes de jornais, pra dar um tom de reportagem, de contagem dos dias - além de entrevistas e shows de tom zé, vanguart, montage, instituto, erasto vasconcelos, zefirina bomba, z’áfrica brasil, digital groove, bonde do rolê …

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mais frames:

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acima, grupo raies. abaixo, z’áfrica e zefirina bomba - a última foto é o vocalista da banda depois de ter se cortado ao quebrar a guitarra no palco.
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downtown 81

28 02 2007

Achei um filme que vi há um tempo e sempre quis encontrar de novo numa sessão notívaga perdida, o DOWNTOWN 81, de 1981, “estrelado” pelo Basquiat aos 19 anos. É quase um documentário sobre a cena artísitca e musical em Nova York na época - um dia na vida do Basquiat, que precisa arrumar dinheiro pra pagar o aluguel e sai pelas ruas da cidade, passando por clubs, shows e becos. A facada é que não encontrei a primeira parte, de oito.

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steal this film e steal this movie

28 02 2007

O Leo já escreveu sobre o documentário sueco Steal This Film, agora ele aqui em quatro partes:




e um remix

UM DETALHE:
Existe um filme chamado “steal this movie”, de 2000, que é a história do Abbie Hofmann, figura da contracultura psicodélica, falando rasteiramente. Ele INTEIRO:


Continuando o papo de pirataria do “steal this FILM”…

anti-piracy commercial
comentário no you tube: “i dont get it… is it… because he’s black?”

“piracy. it’s a crime” (aquela propaganda que passava no cinema: “você não roubaria um filme”) e sua paródia


“piracy is crime”



Capitulo IV

25 02 2007

Gabriel

Pouco a pouco os mendigos foram adotando Gabriel, uma vez por semana eles decidiam em assembléia quem iria doar um pedaço do corpo para o banquete de Crowley . Como ninguém se oferecia, um referendo final era dado pelos mais velhos que decidiam quem seria o doador do corpo sem alma.

Os pedintes mais velhos já não possuíam orelhas e muitos dedos do corpo, o ritual antropofágico não poupava ninguém, e naquela manhã mal cheirosa de Sábado auto-existencial, decidiram que Gabriel iria doar a orelha esquerda e algumas lascas de carne da coxa direita.

Gabriel experimentou da própria carne, ensandesceu-se com o próprio sabor, queria se provar inteiro e num ímpeto insano cortou todos os dedos do pé e chorou como uma criança, chorou como uma criança vadia à procura de sexo, a procura de Penny Lane, a procura dos filhos inexistentes.

Yalutan já não possuía mais dia, o sol se pôs para sempre e a sombra da noite protegia os vampiros intergalácticos. O romance de Gabriel e Penny Lane não estava num pedaço de papel, não havia mais céu. Deus abandonara a terra antes mesmo de cria-la colocando os peixes num aquário, esquecendo eternamente de limpá-lo.

No dia seguinte ao banquete bacântico, Gabriel acordou indisposto, vomitou religiosamente até as tripas, pôs para fora seu próprio corpo junto com pequenas manchas de sangue que gradativamente iam pintando o chão onde os mendigos esparramados cantavam “La Javanesa” de Serge Gainsbourg.

Os pés deformados de Gabriel latejavam, suicídio era impossível por causa do micro chip, o martírio e a tortura eram a constante do povo terráqueo que esperava o fim sem o livre arbítrio.

Um senhor bem vestido e de fino trato se aproximou dos mendigos que se alimentavam do vômito ensangüentado, se sentou ao lado de Gabriel e começou a sorrir, disse que tinha alcançado a liberdade. Aquele transeunte de olhos verdes e sorriso tímido, parecia ter saído de uma antiga propaganda de televisão, era daquelas pessoas que nasceram para figurar. Com as mãos trêmulas, ele agarrou a mão direita de Gabriel e falou:

- “Vim de longe, muito longe. Estava em Jesebéu quando o cataclisma começou, perdi tudo e todos, só havia restado minha mulher que era católica e fora aniquilada pela resolução da Cúpula”.

Desde então venho caminhando pelas ruínas tortuosas desse melancólico planeta e para piorar eu ainda carrego comigo o estigma de ser um homem clonado. Fizeram seis clones de mim ao mesmo tempo, não sei ao certo quem sou e porque estou aqui.

Outro dia, certamente num domingo chuvoso e escuro, estava caminhando pela estrada que liga Yalutan com Sereviça quando encontrei com uma cópia minha. Paramos, olhamos um para o outro, ele estava vestido exatamente como eu, mas estava indo na direção oposta. Tentei estabelecer um diálogo, mas não consegui sequer um aperto de mão de mim mesmo. Frio e séptico, ele continuou seu caminho e segui o meu, não tentei pensar em nada para não sofrer nenhuma punição, mas não teve jeito, sucumbi na estrada de terra e tive nove convulsões consecutivas.”

O senhor pôs-se a chorar e só então Gabriel percebeu que se tratava de mais um ser humano em busca de carne e auto-piedade, ofereceu seu dedo indicador mas ele não quis. Queria somente dividir sua angustia com mais alguém. Mas mais cedo ou mais tarde estaria também partilhando seu corpo com aqueles seres que ocupavam as ruas desertas de Yalutan.

Cúpula

A Cúpula Intergaláctica decidiu acabar com um dos últimos esportes de massa do planeta, o futebol de campo. Há muito tempo o esporte perdera o encanto que havia o consagrado no passado.
Mesmo assim, o futebol continuava atraindo milhares de pessoas aos estádios supervisionados pelo Conselho Intergaláctico, todos os domingos tinham jogos e como todos os dias passaram a ser domingo, todos os dias tinham jogos.

Num domingo chuvoso e escuro, milhares de estádios lotados de milhares de pessoas sucumbiram instantaneamente aos vinte e três minutos do segundo tempo. Curiosamente, todas as partidas estavam empatadas em zero a zero. Todos os times de futebol passaram a não existir a partir dos vinte e três minutos do segundo tempo. O jogo acabou.

Milhares de mulheres tentaram o suicídio e todas acabaram no chão com crises convulsivas. A vida na terra tornou-se improvável, a Cúpula Intergaláctica não deixava o ser humano matar e se matar, mas exterminava aos montes quando bem entendia.



A internet é de quem?

13 02 2007

Esse vídeo aí em cima tem uma linguagem bem legal. Apresenta muito bem como é (ou como pode ser) a internet. Alguns chamam isso de web 2.0, eu sou do time que fala simplesmente web.

Esse termo “2.0″ surgiu da idéia de uma internet mais participativa, onde o conteúdo fosse criado pelos usuários (vide YouTube), que tem mais serviços (Agendas, wikis, documentos…) e mais redes sociais (orkut, myspace…).

Mas quando olhamos de perto, podemos ver esses “novos recursos” como nada além de uma evolução, constante e interminável, do que é a internet. Além disso, não existem critérios tão claros para se definir o que seja web 2.0. Trocando em miúdos, é apenas um jargão jornalístico e comercial.

Mais do que isso, colocar um número de versão na internet inteira, é classificá-la como se ela fosse um produto do qual você pode agora desfrutar, e não um processo do qual você faz parte. Por trás de um discurso de democratização da produção de conteúdo, está escondido o fato da centralização da propriedade desse conteúdo e dos meios de compartilhamento.

Basta perceber que todo o conteúdo publicado no YouTube é de propriedade do portal. Quando o Google pagou US$1,6 bilhões de dólares pelo site, o que exatamente ele estava comprando? O que confere valor ao YouTube não é o software que foi desenvolvido, há muitos outros serviços semelhantes. O valor vem da produção e do trabalho dos milhões de “usuários”. Quanto eles (nós) ganharam nessa transação bilionária? Nada.

Existem experiências no sentido de dar recompensa financeira aos usuários, como o Revver. O próprio YouTube também já acenou com a intenção de adotar algum modelo semelhante. Mas iniciativas como estas não acabam com o principal problema do modelo defendido pelas empresas da web 2.0, que é a centralização do conteúdo.

Empresas como YouTube ou MySpace dependem de uma grande estrutura central e controlada para terem sucesso. Isso significa praticamente replicar o modelo ultrapassado de um grande centro provedor de conteúdo. É a réplica do broadcast em cima de uma estrutura com um potencial maior.

A natureza da internet é a de ser uma rede ponto a ponto (peer to peer, p2p) em que cada ponto pode se comunicar diretamente com outro. Isso que faz o compartilhamento de conteúdo em larga escala sem uma grande estrutura física centralizada ser possível.

Não é a toa que existe um combate massivo contra as redes p2p por parte de grandes empresas. A “falta de controle” é algo assustador…..

O jargão da web 2.0 aponta para uma internet mediada e controlada por grandes empresas que oferecem serviços e uma grande infra-estrutura centralizada (desnecessária quando se trabalha em rede p2p).

A descentralização da infra-estrutura só traz benefícios para a rede: evita gargalos e traz autonomia para os usuários. Experiências como a de conexão a internet sem fio descentralizada e colaborativa, vão nesse sentido. É preciso que seja mais explorada a capacidade da troca de informação diretamente “ponta a ponta”, que transcenda a troca de arquivos, para que a internet realmente evolua significamente.

Enquanto isso, fiquemos espertos com o canto da sereia.

A internet é nossa.



pirex tv?

12 02 2007

Gravação do show do Zeroum, no Inferno.

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imagens: pedrobayeux - sem edição, fora as vinhetas. os efeitos são da câmera.

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mídia vs mídia

12 02 2007

o primeiro vídeo é de 2002, no mídia tática em são paulo, na casa das rosas. o funcionário da globo “brito jr” segue para bater o ponto e fazer uma matéria sem pesquisa prévia. o segundo (trilha do mamma cadela) é em manaus, 2006, com a equipe do sbt chegando numa oficina do coletivo cultura digital, também sem estudo de antemão, apenas luz e holofotes. dois focos podem ser discutidos: a superficialidade do jornalismo - a busca por slogans fáceis em substituição da reportagem - e a reação dos midiativistas (grosseria?) nos dois casos.

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os lobos dentro das paredes

10 02 2007

Imagens das últimas horas.

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blender

9 02 2007

Hoje, no LaMiMe (laboratório de mídias metarecicladas) fui experimentar possibilidades de animação 3d no documentário “Hackers, Pinguins e Balaclavas”. O oficineiro era o Gelo, usamos o software livre Blender (uma espécie de 3d studio max e after effects juntos e open source). Foi só uma projeção quase lúdica (realizar toda idéia/filme nonsense, inverossímil até) do que pode acontecer. (aqui, um tutorial do programa)

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O filme “Elephants Dream” é, com certeza, um parâmetro em 3d “livre”. Cá está ele:


E mais um print screen do teste com o software:

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entrevistas em Manaus

7 02 2007

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montagem com as entrevistas que fiz em manaus, em dezembro de 2006. Jader Gama, do Puraqué, Tarcísio, metarecicleiro, Leo, do Pirex, Roberta, do Instituto Paulo Freire, Ian Lawrence, programador inglês que vive lá, Euzilene, do Ponto de Cultura de Roraima, alunos, barcos e cachorros dormindo.
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