Postado por Carlos Castilho em 8/1/2007 às 11:47:15 PM
Esta é a primeira vez na curta história dos weblogs que um movimento internacional de solidariedade cria uma situação que alguns já classificam com a primeira guerrilha da era dos blogs.Spocko´s Brain, especializado em crítica da mídia e que foi retirado da rede pelo seu hospedeiro por pressão da Disney Corporation, pouco antes do natal.
A empresa do Mickey Mouse reagiu à campanha do Spocko´s Brain contra o programa de entrevistas transmitido pela radio KSFO, uma afiliada da rede ABC controlada pela Disney. McNash foi acusado de violar os direitos autorais da radio ao gravar e reproduzir no seu blog comentarios onde os apresentadores apoiam abertamente a tortura como método para obter confissões de presos, simularam o enforcamnento do editor do The New York Times, Bill Keller, numa cadeira eletrica defeituosa, fazem piadas de mau gosto sobre o islamismo e propoem outros absurdos como amarrar baterias vendidas pela loja Sears aos testículos de descendentes de africanos.
A reprodução de dezenas de trechos de programas de entrevistas da KSFO pelo blog irritava a Disney mas esta só resolveu deflagrar uma guerra contra o Spocko´s Brain quando ele começou a mandar cartas para os anunciantes da emissora com o conteudo gravado. A reação de empresas como a a VISA, Mastercard, Bank of America e AT&T foi imediata, pois elas e mais dez outras, suspenderam as inserções publicitárias chocados com o teor das gravações.
A Disney resolveu atacar afirmando que o blog usava indevidamente material sonoro protegido por direito autoral. A justiça aceitou o pedido e ordenou que McNash tirasse do ar o audio das entrevistas, admitindo que toleraria a publicação de transcrições.
Mas o autor do Spocko´s Brain resolveu topar a briga no melhor estilo David contra Golias alegando que se tratava de material de interesse jornalístico e que a distinção entre áudio gravado e transcrição era uma idiotice completa, porque o conteudo era o mesmo.
O que parecia uma batalha perdida acabou dando origem a uma rebelião de blogueiros que passaram a reproduzir todas as gravações que a Disney impediu McNash de publicar. Até a noite de segunda feira (8/1) o material já havia sido publicado em blogs de Hong Kong, Arábia Saudita, Inglaterra, Suécia, Rússia e França.
A imediata notoriedade obtida pelo Spocko´s Brain lhe garantiu convites de pelo menos cinco provedores de acesso à internet interessados em hospedar o blog, que antes era praticamente desconhecido.
A grande impresa norte-americana está tratando o tema com luvas de pelica porque as consequências do caso são explosivas. Se a moda pega, vai crescer o patrulhamento dos programas tipo talk show onde a maioria dos apresentadores norte-americanos não esconde sua opção conservadora.
Acusando o golpe, a Disney resolveu não fazer mais comentários sobre o episódio tentando minimizar os efeitos da propaganda negativa. O Spocko´s Brain voltou a ser publicado no dia 6 de janeiro noutro provedor.
Lá na argentina, por acaso, me deparei com o novo livro de Alvin Toffler. Não comprei, esperando comprar aqui no Brasil em português, mas descobri que o livro ainda não foi lançado por aqui… (apesar de no site do autor constar a versão brasileira para “Agencia Siciliano Livros e Revistas”, não encontrei nada)
Alvin Toffler, e sua esposa Heidi, são umas das pessoas que mais entendem as transformações que estão acontecendo na sociedade atualmente. Eles fazem uma análise a partir do ponto de vista da economia, mas não restrita a ela. Falam sobre comportamento, família, cultura, etc. Alvin também foi um dos primeiros a enxergar essas mudanças. Em 1973 ele já escrevia:
“O que estamos vendo hoje não é simplesmente um distúrbio econômico, mas algo muito mais profundo, algo que não pode ser compreendido dentro do escopo da economia convencional. É por isso que cada vez mais grandes economistas reclamam que “as regras antigas não funcionam mais”. O que estamos vendo é uma crise geral do ‘industrialismo’ – uma crise que transcende as diferenças entre o capitalismo e o comunismo soviético, uma crise que está, ao mesmo tempo, rompendo com nosso sistema de valores, nosso senso de espaço e tempo, nossa epistemologia, assim como a economia. O que está acontecendo é, nem mais nem menos, a queda da civilização industrial no planeta e a primeira aparição fragmentada de uma ordem social completamente nova e drasticamente diferente: uma civilização super-industrial que será tecnológica, mas não mais industrial.” Tradução livre de trecho do livro The Eco-Spasm Report – 1973
O interessante é que, diferente de vários outros visionários, ele ainda está na ativa e não ficou ultrapassado. Em 93, em palestra aqui no Brasil, falou de muitas coisas interessantes, atualizando sempre seu discurso a realidade atual – que normalmente comprova que ele estava certo desde o começo.
“Em breve será possível trazer cerca de 500 canais diferentes à maior parte das residências nos Estados Unidos. Cada pessoa vai vasculhar a oferta e selecionar dois ou três canais que normalmente sintonizará. Contudo, os meus três canais serão diferentes dos seus três canais, e os seus serão diferentes dos dos seus vizinhos, e assim por diante. Nenhuma rede de televisão conseguirá mais atingir, com regularidade, um terço da audiência, porque essa audiência estará distribuída entre mais de 500 canais disponíveis, e não apenas três. Para abastecer esses 500 canais haverá um aumento, e conseqüente diversificação, dos estúdios de produção. A conseqüência de tudo isso é que a produção, a distribuição e o consumo do entretenimento e da informação serão altamente diferenciados. ” Resumo da palestra feito po Eduardo Chaves
E será que o velinho conseguiu absorver o que trouxe a internet? o software livre? etc… tudo indica que sim. Em um site portugûes, que vende seu novo livro “A Revolução da Economia”, achei essa síntese:
Neste texto, descobrimos as muitas ligações escondidas que existem entre os desportos extremos, as bolachas de chocolate, o software Linux, e como a -complexidade excessiva- em que a nossa sociedade vive e as mais vulgares transformações económicas irão ter implicações na sociedade, na política, na cultura, nas instituições e nos valores.
Já encomendei.. deve estar chegando em breve…





É certo que não estamos alterando as placas de trânsito para provocar um caos na sinalização da cidade de São Paulo e atrapalhar o trânsito. Somos poetas visuais, militantes líricos, defensores do olhar múltiplo e humano, embebidos pela visceralidade poética de Don Quijote – o cavaleiro andante. Não há violência. Não há crime em nossas interações com a cidade. Por isso pedimos o direito de respota para tantas acusações, para o discurso parcial, para a violência de vossas palavras.
Resignificar símbolos de automação, fomentar o questionamento do espaço público, alimentar a cidade de arquetipos miticos e espirituosos. Mas parece que não convém amplificarem nosso questionamento artístico, afinal é preciso classificar, é preciso pensar no prejuízo público, é preciso passar um pano com alcool e água para que nossos adesivos sejam retirados. Mas o que convém perguntar? Despertar um olhar transformador?
“É vandalismo, é uma gangue”, assim fica simples (é só mandar prender senhor prefeito), afinal não há tempo para novas percepções, para desnudar a precipitação do primeiro olhar. E tratando-se do poder público e dos meios de comunicação, olhares imediatistas tornam-se fatais, não? Quanto tempo perdido em decisões editorias e governamentais feitas com base em maniqueísmos simplistas.
Vamos amplificar com imparcialidade a interação do humano no espaço público? Ou mantemos o clima de denuncismo parcial e superficial? Queremos olhar as coisas com calma em nossa cidade, sem tantos juízos de valores, apenas sentir por nós mesmos. Por isso nossas exposições a céu aberto, nosso convite a contemplação de novas possibilidades urbanas, de interação humana, de desaturação visual.
Não prejudicamos a população com nossas interferências, as placas podem ser removidas com um simples produto de limpeza como foi dito – não é preciso tanto sensacionalismo ou imediatismo Sr. Adauto Martinez Filho (diretor de operações da CET). Também não facilitamos acidentes colando novos simbolos visuais sobre a sinalização de trânsito, afinal se o motorista não vê uma placa com o sentido da rua, é obrigado a parar e olhar para os lados, respirar um pouco no meio do trânsito caótico, ver as coisas, aliviar a tensão do seu ser eminentemente urbano.
“O condicionamento se reorganiza na percepção da mudança do código. Sentado-brinco, olhando-canto, percebo que existo.” Beija-flor, integrante do grupo Don Quijote.
Estamos propondo exposições a céu aberto. No começo dos dois sentidos da avenida Brasil, por exemplo, haviam placas de entrada e saída de museu. Durante a passagem alegórica de carros alegóricos pela via, entrava-se em contato com placas líricas (piões e pipas). Denominamos de “Zona de la Alegria”. Na Rua Estados Unidos inúmeras placas brancas foram colocadas para emanar tranquilidade e vazio espiritual à cidade, fazendo referência ao respiro e a purificação necessária ao ser humano. Denominamos de “Zona del Zen”. O primeiro olhar bruto tende a querer definir e não deixar perceber e sentir pelo corpo toda a carga que as pessoas recebem e julgam através da mente.
“È uma interferência parecida como o grafite, mas tem outra linguagem. Ao invés de depredação, é uma discussão sobre a retomada do espaço público. Aparentemente é depredatória, mas não é. Essas imagens grudadas servem para discutir o espaço público.” Silvio Miele, professor de comunicação social e arte multimídia da PUC de São Paulo.
Despertar e amplificar o sensorial. Não queremos que as pessoas pensem a respeito, mas sintam a respeito. As placas não estão em oposto, ou não são contra a cidade. Existe algo que conecte essas placas à cidade. São os seres humanos. E infelizmente os seres humanos estão muito esquecidos na cidade. Nós acreditamos no ser humano. Proibido árvores na paulista, minotauro, polvos, piões e pipas na av. Brasil. Buscamos trazer uma fauna de lirismo para uma cidade carregada de maniqueísmos. As nuanças entre o branco e preto. Não somos artistas ou vândalos. O nosso trabalho traz essa fauna que está extinta, que geralmente se encontra nas galerias encaixotas, nas salas de cinema de 15 reais, ou na periferia nas comunidades de manifestação artística. Porque isso não pode se alastrar pela cidade? Por que a publicidade se alastra de uma maneira tão opressora e violenta e não é questionada ou não é criminosa. Vândalas são placas que querem colocar poesia e nuanças em espaços públicos? Isso é vandalismo? O que é vandalismo?
Porque choca tanto quando o patrimônio público é interagido? E por que não choca quando o patrimônio privado usurpa o patrimônio público? Porque isso não é questionado e é tratado com tanto respeito pelos meios de comunicação que deveriam fomentar esse tipo de discussão? Vejam que curioso o anúncio de uma das maiores agências de publicidade do país (agência África), se não a maior. A placa é exatamente igual a uma placa de sinalização, aplicada exatamente nos postes de sinalização. Onde estão as denúncias de vandalismo? Onde estão as preocupaçõesde acidentes? Onde andará o poder público em relação as intervenções lícitas da indústria no espaço público, da publicidade?
Não queremos dar respostas. Fazemos perguntas. São perguntas para o corpo. Para as pessoas sentirem nossas perguntas. Não para as pessoas queimarem neurônios. É diferente! Se fosse assim estaríamos carregando uma bandeira panfletária, partidária, de significado único. Nossos símbolos valem mais que nossas palavras. Nossa energia não é a do protesto carregado de ódios ou angustias. Somos movidos por nossas próprias subjetividades. Acreditamos no coletivo como fruto de individuos com identidade, únicos, repletos de amor. E é com isso que produzimos nossas intervenções, que convidamos a todos para interagirem.
“Basta contemplar isso – o que permanece, o que se passa… sem acrescentar nenhum pensamento, sem se identificar com o que acontece, sem preocupação de si. Azul é a resposta do céu, verde a dos campos”. Jean-Yves Leloup, comentário sobre a IX etapa Zen
Saudações,
Don Quijote
São Paulo, 8 de janeiro de 2007. Loja Kalunga da Av Paulista.
Entro para comprar papel sulfite (reciclado) e sou hipnotizado por lindos monitores LCDs… alguns segundos mais percebo que todos exibem um quase bonito fundo de tela de algo que parecia um linux Kurumin. Mais alguns segundos ainda e, me aproximando, vejo que se trata do Computador Para Todos.
De orelhada ouço o rapaz perguntando para o vendedor, se esforçando para mostrar para mãe que sabia do que estava falando e logo saberia como gastar bem o dinheiro dela:
- e esse processador… ele é… assim… aguenta bem o windows xp?
O vendedor diz que é bom.. e que se pode ampliar a memória RAM e tal, mas explica que o computador já vem com linux, que tem todas as funcionalidades..
- a tendência agora é o mercado começar a usar cada vez mais linux.. daqui a uns 2 anos vai ser tudo linux…
O rapaz ficou meio desconcertado, fez algumas perguntas e saiu…
Dois passos para a esquerda um outro perguntava sobre umas impressoras HP. Depois das perguntas de prache de um cidadão comum como “ela é econômica?”, “posso configura-la pra imprimir só rascunho?”, “vem com tinta?”, veio a não tão usual: “Tem compatibilidade com linux?”
- Creio que sim, fulana ali sabe dizer, ou podemos ver no site, mas tenho quase certeza que sim.
E assim vai …
Leo,,
Levei algumas hqs pra passear no ano-novo, Deogratias – A Tale Of Rwanda, do belga Stassen (auto-retrato abaixo), foi a mais foda.



“Com as roupas em farrapos, olhar esgazeado, Déogratias erra pelas ruas de Butare, Ruanda, em busca de cerveja que o faça esquecer que é um cão. Mas à noite, sem urwagwa (cerveja de banana), os seus pesadelos voltam a assombrá-lo…” 

Fernando Torelly (malvados.com.br/torelly e fotolog.com/don_torelly) acaba de me mandar as primeiras ilustrações dele pro vídeo. Penso em aproveitar os frames do processo e desenhos originais para um livro tipo “o fotógrafo”. Veremos se rola.




