Um Lugar Melhor que o Mito da Caverna

Prelúdio
O movimento contínuo de expansão do universo ainda é resultado da grande explosão. Com um pouco de prudência, fica fácil entender que o Big Bang nunca deixou de acontecer. Ele não é passado. Coexiste, agora mesmo. Porém, talvez antes dele o universo tenha se contraído numa imensa massa compacta de vidas futuras. Todas aguardando o amadurecimento de seus carmas.

o-gato-do-pieter-hugo.jpgCom isso em mente, é razoável pensar que quando essa expansão infinita acabar a contração infinita volte a acontecer e um outro Big Bang forje novas vidas. Quem sabe também seja aceitável considerar que esse movimento de expansão e contração do universo é exatamente o mesmo de contração e relaxamento do coração. Sim? O que nosso coração bombeia de sangue em um minuto, o universo demora zilhares de anos pra contrair e dilatar.

O centro do universo reside bem no meio do nosso coração. Se entendermos as coisas a partir do coração, se entendermos que a mente está dentro do músculo miocárdio e não na cabeça, se afinarmos nossa percepção para a memória afetiva e resolvermos ser mais intuitivos do que racionais, talvez estejamos mais próximos de entender a lógica do universo, que é a lógica da vida.

Talvez possamos entender também que o futuro e o passado não existem, que os homens são todos iguais e que o ser ancestral reside nesse exato momento dentro de nós.

O Fato
Antes do poderoso Big Bang, todas as verdades de Deus encontravam-se muito concentradas numa imensa bola de energia. Ainda não existia o homem e nem a noção de tempo. Quando essa massa compacta não coube mais em si e explodiu, toda a Providência Divina foi espargida universo afora. Eis que as verdades se espalharam em minúsculos corpúsculos quentes lançados em movimento retilíneo na direção oposta ao seu epicentro.

Um desses fragmentos, Gaya, demorou uma jornada inteira para esfriar e permitir as primeiras ocorrências unicelulares de vida marinha no caldo quente dos oceanos que circundavam o seu continente único. Após algumas tantas voltas em torno de si mesmo e do astro auto-suficiente que regula o pequeno sistema onde Gaya e outros corpúsculos estão inseridos, eis que esses pequenos seres evoluíram, saíram dos oceanos, ganharam as superfícies das placas tectônicas e se transformaram no Homem. Isso aconteceu há muito pouco tempo. Foi em seguida que esse mesmo Homem passou a chamar Gaya de Terra, o astro regulador de Sol e criou a noção de tempo.

Sapientia?
Pois bem. Começa aí a epopéia desafortunada daquele que se auto denomina Homem-Sábio. Eis o paradoxo: ele foi sábio para inventar o tempo, ocupar as superfícies, inventar a idéia de planeta e, em seguida, batizá-los. Porém, fez questão de afirmar a mais usurpadora estupidez ao negar sua natureza primária e desprezar a origem da Providência e das Verdade Divinas.

Nesse momento, os corpúsculos já estão resfriados e há condições suficientes para a proliferação da vida no 3º planeta da conjunção celestial que o Homem-Sábio intitulou de Sistema Solar. De todos esses homens, alguns poucos foram, são e serão realmente sábios. Esse poucos sabem que o tempo não existe e, assim, conseguem conceber, entender e interiorizar toda a integração do Cosmos e das Verdades de Deus. Eles encontraram essa convicção dentro de si em em sinais enviados pela natureza.

Homens como Moisés, Buda Shakyamuni, Jesus Cristo e outros, dispostos a libertar a raça dos homens sábios, tinham vocabulário e disposição para entender os sinais e a mensagem que vêm do Cosmos e se manifesta na vida que abunda na Terra.

O homem sensível é a antítese do homem sábio. É aquele provido de olhos e coração, discernimento e bondade. É aquele que, caminhando entre as artérias do Mar Vermelho, nas florestas da Ásia ou no deserto da Palestina, conseguiu enxergar a fagulha ainda quente da mesma Providência que um dia mandou tudo pelos os ares. Entenderam que, apesar do planeta já estar frio o suficiente para permitir as ansiedades mundanas, ainda mantém alguns pontos telúricos e extremamente quentes, contendo a mesma Verdade que deu origem ao Universo.

A revelação
Fazendo uma alegoria, é como se esses homens se aproximassem do cume do maior de todos os vulcões e recebessem as mensagens “do outro lado” em forma de lava oriunda das entranhas do planeta. Esses seres sensíveis nasceram com conhecimento suficiente para entender o idioma do vulcão, as premissas e aforismas absolutos que vêm diretamente do coração de metal fundido que pulsa no centro da Terra.

Após ministrar sua palestra, o vulcão amansa. Ele ameaça a erupção irremediável, onde expurgaria toda sua indignação vermelha, mas nunca realiza tal intento até o fim. Generoso, resolve dar mais uma chance para o homem sábio se tornar sensível.

Porém, como esse homem faz pouco caso das seguidas chances que seu Planeta-Mãe oferece para a regeneração da espécie, eis que se aproxima o dia em que o homem mais sensível de todos terá seu encontro com o grande vulcão. Lá a Providência se manifestará pela última vez. O magma e as Verdades Divinas serão tão abundantes e oniscientes que cobrirão todo o cume, toda a montanha, todo o país, todo o continente, todo o planeta, todo o sistema, todas as galáxias, todas as fronteiras do Cosmos.

Nesse dia, cessará a expansão ininterrupta que um dia originou-se do Big Bang e tudo voltará a ser uma massa coesa e silenciosa. É a Providência. Aquela que tudo pode. Da mesma forma que, na estação passada, resolveu espargir suas Verdades para todo o Cosmo de Einstein, na próxima, recolherá tudo ao ponto de início. Não por capricho, mas por conta de sua natureza. Assim como nosso corpo bombeia e trabalha incessantemente, contraindo e expandindo, o Divino, expresso através das leis de ação e reação da natureza, comporta-se da mesma maneira.

Se fosse realmente erudito e prudente, o Homem Sábio não lutaria contra a Terra, mas se alinharia a ela. Se fosse realmente conhecedor, entenderia que o metabolismo do planeta é auto suficiente e já está dando o troco contra sua ocupação predatória. Se fosse realmente sábio, consideraria a inexistência do tempo e, por consequência, deixaria de ser tão imediatista ao esgotar as fontes naturais e tornar esse um local inapropriado para a sobrevivência das próximas gerações.

Falta pouco para isso acontecer. Afinal, não vamos esquecer que a passagem do homem nessa tênue dimensão de tempo-espaço é um nano-segundo se comparado à trajetória de todo o Universo. Ignorar esse fato seria a presunção máxima de um ser tão desprezível que ainda não abandonou as águas mais profundas dos oceanos quentes que circundam sua ignorância. Sejamos prudentes.

Gustavo Garde

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