Cap IV - 22 do Livro Macrobiótico de Exus(tamos)

19 11 2006

Um lugar qualquer, 23 de Setembro de 2113

Passos largos separavam pequenos ladrilhos coloridos que enfeitavam as ruas da pequena floresta de Yalutan. O dia já não existia mais, as cores de Setembro já não eram mais as mesmas, e mesmo assim, o homem ainda relutava como espécie, quase extinta. Ainda havia esperança em meio ao total domínio do reino vegetal dos galináceos de Ialumelos.

A cada passo largo, Gabriel se distanciava de seu abrigo seguro e certo, é certo que se permanecesse ali naquela pequena aldeia logo seria devorado pelas raízes risofíceas gigantes. O jovem poeta contemplara pela última vez Yalutan, um lugar sombrio e mórbido, onde a única coisa que existia era .(à). noite e a certeza da morte.

Yalutan fora uma próspera e encardida metrópole até o começo do século XXI, quando o grande cataclisma terrestre anunciado no livro sagrados dos maias acontecera. Os prédios se rebelaram e numa revolução jamais imaginada, o concreto inanimado descobriu o livre arbítrio, edifícios do mundo inteiro se organizaram em fila indiana e saíram lentamente das cidades em direção ao campo. Os seres humanos abandonados pelo concreto cheio de vida, desnorteados como a canção mais mórbida de Nick Cave; não sabiam o que fazer, pressentindo que na floresta dificilmente iriam se perpetuar como espécie evoluída, passaram a viver nos imensos buracos deixados pelas estruturas dos antigos prédios, como no tempo das cavernas.

O despertador de Gabriel toca precisamente às 7h30 da manhã, como de costume, ele escreve seu sonho em seu bloco de anotações e volta a dormir até as 11h30, quando precisamente seu despertador dispara, e como de costume ele anota seu sonho e volta a dormir até as 15h30, quando o despertador toca de novo, e ele acorda para escrever seu sonho e volta a dormir, como de costume.

Todos os dias de Gabriel são redundantemente ruidosos, entre sonhos, cama e bloco de anotações, ele vive num tempo precisamente daliniano. Vez ou outra ele lê os sonhos que escrevera antes de dormir e se delicia com as palavras que sua mente transcodifica em imagens ora absurdamente belas, ora absurdamente mórbidas. Gabriel em toda a sua existência jamais saíra da cama, mas seus sonhos sempre o levaram para os lugares mais improváveis e desconexos.

Desde o cataclisma terráqueo, o planeta estava sob a guarda do conselho intergaláctico, formando por membros obscuros de todas as galáxias, o Conselho era formado por seres dissidentes da Confedereção Intergaláctica, que era contra a intervenção no planeta terra. Ironicamente, o único humano do Conselho viera de um país menor chamado Brasil, o lugar que detinha a maior floresta do planeta, arrasada totalmente com a chegada da marcha concreta de prédios que vinham de todas as partes do mundo. A antiga Amazônia transformou-se na maior megalópole inabitada do planeta, prédios como o Empire States e monumentos como a Torre Eiffel, o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade agora sobreviviam no inferno concreto da ex mata.

Milhares de árvores conseguiram se safar, boa parte delas fixou residência no deserto do méxico, outra conseguiu abrigo na região árida brasileira. O sertão virou floresta e não mar. Conselheiro errou por pouco.

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A única missão do Conselho Intergaláctico era a de acabar definitivamente com a propagação da espécie humana, injetada na terra pelos Sirianos. Os extraterrestres humanos fracassaram, infestaram danosamente todos os espaços do planeta destruindo os recursos naturais e animais, acabando de uma vez por todas com a paz que reinara na esfera azul durante milhares de anos. O homem nunca fora do planeta, veio do espaço e para o espaço teria que voltar.

copyleft//tatá aeroplano//


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One response to “Cap IV - 22 do Livro Macrobiótico de Exus(tamos)”

11 12 2007
xenical (11:18:04) :

xenical…

broadminded parietal…

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